segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ADAPTAR ou REABILITAR?




A grande discussão sobre se devemos adequar o homem ao ambiente ou vice-versa é polêmica no universo da PcD e está presente na sociologia da tecnologia.

Acompanhe o debate com o sociólogo Gilson Lima, especialista no assunto.
 
 Entrevista para a Revista Sentidos por: Alexandre Quaresma. REVISTA SENTIDOS NÚMERO 84. Edição de Aniversário. Nas Bancas e Livraria Cultura.




Desenvolvimento tecnológico não Significa necessariamente desenvolvimento humano...  
Gilson Lima, (ao lado com o robô symbios) é natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, e doutor em Sociologia com foco em metodologias informacionais. É pesquisador do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e também pesquisador junto à Ortobras em inovação e tecnologia, com atividades na área da interface entre corpo-cérebro-mente-máquina visando gerar novos produtos e processos de reabilitação e acessibilidade. Professor da Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul) e Membership do Research Committee on Clinical Sociology da ISA (International Sociological Association).
ENTREVISTA
"Somos também cérebros vivos estudando outros cérebros vivos e eles são muito singulares e não são objetos estáticos, não ficam quietos para analisarmos. Estão sempre ativos. Eles existem também em si, mas sempre em interação. Se auto-organizam. Daí também nossa limitação". Gilson Lima. 

Qual o papel das tecnologias na reabilitação humana?

O papel é a evolução simbiogênica entre cérebro, corpo e máquina, tanto para reaprendizagem após lesões como para a melhoria da qualidade de vida na velhice. Tecnologias acopladas ao corpo para a reabilitação são processos antigos. Podemos encontrar o uso de talhas ou talas para imobilizar um desconforto físico na Antiguidade.

O papel da tecnologia, nesse caso, é a evolução da associação entre cérebro, corpo e máquina, tanto para reaprendizagem após lesões como para a melhoria da qualidade de vida na velhice
Eram feitas de bambu, folhas, cascas etc. As primeiras evidências do uso apareceram em corpos mumificados, que datam de 2.750 a 2.625 antes de Cristo. Já em 1517, temos registros de uma órtese sofisticada feita de metal com o formato de um braço e que tinha ajuste da posição na articulação. Porém, os estudos e as pesquisas na área de lesões da medula iniciaram-se como uma das consequências da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, em razão do surgimento de um grande número de mutilados, onde cerca de 80% dos lesionados morriam por falta de cuidados bem básicos de reabilitação.
Nos últimos anos, os estudos cerebrais e da reabilitação operada com tecnologia avançaram muito. Até pouco tempo atrás os paraplégicos estavam condenados a terem suas pernas amputadas. 

Existe também muito a fazer e aprender com tecnologias de processos clínicos, não necessariamente apenas tecnologias de produtos.



Nos últimos anos, os estudos cerebrais e da reabilitação operada com tecnologia avançaram muito. Até pouco tempo atrás os paraplégicos estavam condenados a terem suas pernas amputadas.

Tenho trabalhado muito a integração da cibernética, da pilotagem de telas com microrritmos corporais na reabilitação e temos obtido resultados surpreendentes em pacientes com lesão neuronal severa.

Se por um lado alguns lutam legitimamente por direitos básicos como rampa e acesso especial para deficientes físicos, entre outras adaptações, outros, talvez mais arrojados, defendem a ideia de que seria mais inteligente e até economicamente viável fazê-Ios (pessoas com deficiência física) andar novamente, utilizando tecnologias semelhantes às atualmente usadas para fins bélicos. O que o senhor pensa sobre isso?

Não vemos esses dois lados como antagônicos. É preciso ligar o presente com o futuro, sempre. Se não estivermos pesquisando inovações, lá adiante o futuro será apenas uma repetição, melhorada ou piorada, do passado. Uma repetição mais pequenina, miniaturizada, mais forte, mais veloz, talvez, não melhor, apenas uma replicação. Mas digo, o que seria mais inteligente a curto prazo? Mudarmos as cidades totalmente inadequadas ao uso de cadeira de rodas ou apostar em tecnologias complementares e soluções de mobilidade individual? Os dois. Temos tudo a fazer. Nossas Cidades não estão sequer adequadas para uso pleno dos pedestres, mal damos conta de uma manutenção básica em vias "carroçáveis". Não falo apenas isso para os atuais cadeirantes - que são milhões neste país -, mas também para os futuros idosos que serão muitos e muitos nas próximas décadas e que exigirão assistência simbiótica de caminhada corporal; ambientes de pisos regulares e detalhes de integração cada vez mais simbióticas. Existem pesquisas de órteses robóticas também para membros superiores e temos grandes possibilidades para utilizarmos exoesqueleto como assistência aos idosos diante do envelhecimento da população. A Honda, no Japão, tem um investimento muito grande em pesquisas de diferentes produtos de exoesqueleto para idosos. Vejo que num futuro não muito distante o mercado do envelhecimento - num sentido amplo - demandará muitos produtos envolvidos na família do exoesqueleto com um enfoque na saúde e na qualidade de vida. 

Segundo o seu entendimento, qual o papel social da sociologia da tecnologia? 

Um papel geral não sabe, mas eu venho de uma formação inicialmente humana (sociologia). No Brasil, a sociologia é fortemente marcada pela abordagem clássica do surgimento da sociedade industrial na Europa do século XIX e com forte cunho ideológico e político (aqui com p minúsculo porque uma política do conhecimento também pode ser realizada amplamente com P maiúsculo). Mesmo quando trabalhava com políticas públicas tínhamos pouco diálogo com a ciência aplicada e metodologias informacionais em redes cibernéticas e engenharias. Tive que estudar muito além do que os currículos tradicionais determinavam. Os estudos "chatos". Comecei pela experimentação em metodologias informacionais em rede até chegar aos estudos neurocientíficos e da neuroaprendizagem. Tive que me deparar com temas e metodologias complexas e fragmentadas. 

É preciso ligar o presente com o futuro, sempre. Se não estivermos pesquisando inovações, lá adiante o futuro será apenas uma repetição, melhorada ou piorada, do passado.

Pesquisei e lecionei muito no campo da informática por mais de dez anos, de 1993 a 2004. Minha tese de doutorado foi em Metodologias Informacionais em 2004. Aos poucos fui me dando conta da importância da informação computável, mas também dos limites da inteligência artificial. Tenho desenvolvido projetos, processos de reabilitação em base simbiótica com tecnologias de processos e produtos aplicados para casos de lesões severas envolvendo a área micromotora operada pelos lobos cerebrais e pelo sulco lateral (ou sulco de Sylvios), onde o uso de telas computáveis tem ajudado muito na reabilitação em bases de neuroaprendizagem. A sociologia clínica, por exemplo, é um campo singular da prática, de um saber fazer pensando. Aplico uma abordagem que eu denomino simbiogênica, de simbiose. Um symbios entre o corpo, o cérebro no corpo e o ambiente onde nós acontecemos no mundo.
Acredita-se que o corpo seria apenas uma "plataforma", a partir da qual se construiriam novas possibilidades e melhoramentos, sempre pela via técnica. Por outro lado, essas mesmas tecnologias, que pretensamente seriam usadas para "melhorar" e "turbinar" o ser humano, também poderiam ser usados para a reabilitação. Seriam dois caminhos de uma só via técnica? Interessante é que vemos nesse campo do debate apenas a espécie humana como seres "superados" pela ciência (trans-humano). Precisamos da ciência e da tecnologia para isso. Por isso, já somos simbióticos. A evolução caminha em simbiose do corpo com as máquinas e o ambiente. Para ser duradouro, esse caminho deve ser marcado pela cooperação em longo prazo.

É essa cooperação de longo prazo que separa as espécies duradouras da vida na história de nosso planeta. Quem se depara com a microbiologia descobre

- de imediato - que é preciso quebrarmos a noção iluminista central de Homo universalis. Não somos - sequer - uma ilha fisiológica. Somos parte de uma rede simbiótica de longo prazo entre células nativas, micro-organismos e ambiente. A maioria das células humanas não é realmente humana. Em nosso corpo de cada 11 células apenas uma é humana! Nosso microbioma é simbiogênico. Algumas das bactérias benignas do nosso organismo contêm genes que codificam compostos benéficos que o corpo não consegue produzir sozinho. Reabilitação, mesmo a clínica, está mais no campo da reeducação interdisciplinar do que apenas das técnicas informacionais ou de engenharias prescritas. Na reabilitação, quando mais cedo começar, melhor. Nada disso é futuro.

Como estão atualmente as pesquisas em neurociências no sentido de interfacear o cérebro humano e a infraestrutura técnica já existente? Ou seja, quanto tempo ainda vai levar para um cérebro controlar uma máquina e vice-versa?


Esse debate é possível apenas se considerarmos o cérebro isolado do corpo e como se ele fosse um grande sistema de fiação telefônica e de processamento de dados. Controlar máquinas é algo comum. Hoje precisamos de máquinas para produzir máquinas. Muitas delas nós humanos não somos capazes de montar, só outras máquinas muito sofisticadas podem fazê-lo, mas são máquinas. Apenas isso. Pensar, aprender conhecimentos sociais em uma cultura é muito mais do que processar dados e informações. Acho que às vezes os tecnólogos esquecem que já controlamos ferramentas, máquinas, micromáquinas, motorizadas ou não, desde a Antiguidade. Herdamos esse talento do Homo habilis, o "faz--tudo" que começou a fabricar instrumentos de pedra cerca de dois milhões de anos atrás. Porém, hoje dependemos cada vez mais de energia inorgânica, motores e química fina para viver mais e melhor. Como disse, nosso corpo é imperfeito, mas não creio que possamos ter nesse planeta vida auto-organizada e complexa sem um corpo orgânico complexo. 
Acho que às vezes  os tecnólogos esquecem que  já  controlamos ferramentas, maquinas micromáquinas, motorizadas ou não, desde a Antiguidade.

Nosso cérebro, diferente do funcionamento maquínico e elétrico que já está muito mais esclarecido, tem ainda muitos mistérios na modelagem de sua bioenergia. Os humanos descobriram o combustível fóssil e acharam que tinham resolvido de vez o problema da energia. Descobrimos a lasca de silício para processar a lógica em sinais elétricos e acreditamos que o cosmos todo ficou digital e lógico. Agora descobrimos os displays individuais e acreditamos que o cérebro mudou e virou uma tela de pixels. O caminho é sempre a simbiose cooperativa. Veja quantos estudos estamos fazendo de produtos biocompatíveis com nossa rede biótica? Mesmo tendo por referência a absurda cifra de 30 milhões de cientistas pesquisando diariamente no mundo. Quantos? Quase nada. Muito já se pode fazer com processos não invasivos e subcutâneos, mas o sistema nervoso central não é muito afeito a visitantes estranhos, muito menos cobre silício, soldas. Sem querer desmerecer a importância dos processos de acoplamentos robóticos, existe muita confusão dos cognitivistas ao afirmar que estabelecemos comandos de sinais biológicos como se fossem comandados pelos pensamentos. Se pensarmos numa vaca vermelha e tivermos conectado o cérebro numa máquina com sensoriamento por ressonância magnética poderemos identificar que temos uma rede sensória ligada a fotos capazes de produzir sensações e imaginação de cores, mas não vamos encontrar nada de vacas e nem mesmo de vermelho. Mas se continuarmos apenas correndo atrás de conexões físicas e de identificar os microcircuitos físicos de interação das cores com vacas, vamos colonizar a imaginação, só encontraremos efetivamente redes físicas de sinapses. Sinapses são apenas pequenos choques sem toque físico entre células - para permitir abrir um canal de transmissão de substâncias químicas escravas da imaginação. Porém o inverso é verdadeiro. O pensamento é escravo da localização física da interação, mas a imaginação é como um pássaro, ele forja ninhos e acontece no mundo voando. Já treinei pacientes com lesões neurais a controlar um cursor de computador apenas com seus micromovimentos em sensoridade simbiótica. Isso já pode ser muito utilizado em reabilitação. Não se trata de controle por pensamentos, mas pelo corpo vivo. O pensamento, a imaginação são uma energia mental que é subproduto dessa interação física e sensória.


O cérebro é realmente ainda a última barreira intransponível da fisiologia humana, ou podemos dizer que já estamos começando a transformar essa realidade?

O cérebro não é para mim a última barreira intransponível da ciência, mas a conectividade mental que é operada pelo cérebro, corpo, máquinas e ambientes pode ser. O cérebro é um campo físico de energia que precisa de nutrição orgânica como qualquer outro órgão corporal complexo. Do ponto de vista material e orgânico, o cérebro é nosso órgão mais complexo, que não pode ser visto isoladamente, mas em rede simbiótica. A energia mental que gera a complexidade auto-organizada quando acontecemos no mundo ainda tem muitos mistérios. Ela vem também do corpo, do outro e do ambiente em que vivemos socialmente. A energia somática das emoções é cada vez mais percebida como significativa pelo império dos estudos racionais e da linguagem lógica. Tanto para a aprendizagem, para a memória e cada vez mais para a comunicação.

A abordagem computacional e cognitivista é muito produtiva, mas nos leva a bifurcações sem saída. Por exemplo, o neurônio é essencial para o cérebro, uma célula com comportamento social altamente complexo, mas limitada a transportar informações. Existem muitas células não neuronais que operam a rede encefálica e de modo muito importante para que possamos ser como somos. Destas sabemos ainda muito pouco. Sabemos muito sobre neurônios e os centros de atividade das redes neurais, mas o estudo da bioquímica do cérebro vivo como um todo ainda é um dilema repleto de mistérios. Na verdade somos também cérebros vivos estudando outros cérebros vivos e eles são muito singulares e não são objetos estáticos, não ficam quietos para analisarmos. Estão sempre ativos. Eles existem também em si, mas sempre em interação. Se auto-organizam. Daí também nossa limitação.



Como as próteses e exoesqueletos que começam a surgir podem contribuir nesse contexto de restabelecimento da locomoção e, por conseguinte, da dignidade humana?

Exoesqueleto é um conceito que trazemos da biologia. Os animais, segundo a biologia, podem ser artrópodes (exoesqueleto) ou vertebrados (endoesqueletos). A diferença aqui é entre ter esqueleto externo e esqueleto interno. Imaginem um caracol. Tudo que se encontra dentro do caracol está protegido pelo seu exoesqueleto (aquela casca dura que achamos ser a casinha dele). Nós, seres humanos, acabamos, de um jeito ou de outro, ao longo da nossa evolução, levando os ossos para dentro do corpo e criamos uma complexa massa externa de frágeis fibras que permitem muita flexibilidade, excitação de sensibilidade. 

Já  treinei  pacientes  com  lesões neurais a controlar um cursor de computador apenas com seus micromovimentos  em sensoridade  simbiótica. Isso já pode ser muito utilizado em reabilitação. Não se trata de controle por pensamentos, mas com o uso do corpo vivo.


A complexidade da vida está na capacidade de movimento. E os humanos são muito complexos porque seus movimentos são possíveis por seus ossos não estarem à mostra. Por outro lado, isso nos torna altamente frágeis. O estudo da possibilidade de integrarmos exoesqueleto nos seres humanos está vinculado a lesões que afetam nossa mobilidade.
Minha abordagem de exoesqueleto é muito ampla e não inclui apenas máquinas de reabilitação robotizadas como se tornou mais conhecido atualmente pela pesquisa tecnológica. Óculos são também um exoesqueleto (fantástico porque nos protege e nos repõe a visão). Imagino - num futuro próximo - roupas com tecidos entrelaçados de nanopartículas de aço e muito resistentes, tornando-se algo muito mais útil do que nos cobrir do frio, calor e da chuva. As novas vestimentas simbióticas serão também uma unidade autônoma de diagnose permanente do funcionamento de nossos órgãos no corpo, acoplado com microssensores diversos para múltiplos fins de interação com o ambiente. No mundo, algumas pessoas com déficit de mobilidade já estão utilizando em escala reduzida órteses robotizadas que são muito sofisticadas. Temos muitos desafios clínicos e tecnológicos ainda não completamente sanados para um uso pleno e em grande escala social de órteses robóticas sofisticadas de exoesqueleto.  Alguns são de infraestrutura pública e não apenas de fabricação, de montarmos um produto.


Como o Brasil está posicionado nesse competitivo e promissor mercado em termos de iniciativas de projetos e pesquisas?


O Brasil está bem na pesquisa científica. Quem dera nossas pós-graduações fossem referência para as diversas escolas e extensões de ensino em geral. No Brasil o estudo de órteses de exoesqueleto tanto puramente mecânicas como as hibridas com processos e máquinas de reabilitação robotizadas são muito recentes. Quando comecei minhas pesquisas básicas no assunto, em 2005, praticamente toda a literatura e pesquisa aplicada eram internacionais e, mesmo assim, muito reduzidas. No Brasil existem projetos acadêmicos isolados e um projeto muito apoiado e em andamento, coordenado pelo dr. Miguel Nicolelis. Trata-se de um projeto para tetraplégicos (veja, não é para paraplégicos), onde se montou um exoesqueleto para a Copa (em 2014), comandado diretamente - segundo ele - pelo "cérebro". Miguel Nicolelis é brasileiro, tem uma base de transferência de pesquisa no Brasil na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, mas ele atua efetivamente nos Estados Unidos. Seu projeto é altamente complexo, mas altamente invasivo e que só será possível de ser realizado com apoio de pesquisas acumuladas feitas nos Estados Unidos com modelo animal (ratos, camundongos e primatas).
Meu envolvimento experimental clínico com o exoesqueleto começou em 2006, quando conheci um professor universitário paraplégico e comecei a me concentrar numa possível alternativa de montar um exoesqueleto para cadeirantes. Minha primeira conferência pública sobre o tema foi em Natal, num seminário internacional de nanotecnologia, em 2008. A produção de órteses de baixa complexidade no Brasil é um campo muito modesto e recente até hoje. Não creio sequer numa possibilidade de projetos dessa complexidade apenas com apoio da comunidade brasileira. Nossas pesquisas são embasadas em experimentações e tecnologias já utilizadas internacionalmente em muitos países (Japão, Hungria, Alemanha, Israel, Estados Unidos, Rússia, França, Suíça...). Será necessário obtermos parceria e aprendizagem internacional. É o que estamos fazendo. As pesquisas em órteses complexas, amplamente interdisciplinares, são caras e de longo prazo. Temos tentado financiamentos de incremento de base para produzirmos um exoesqueleto simbiótico e não temos conseguido sucesso.




"Alexandre Quaresma é escritor ensaísta, pesquisador de tecnologias e consequências socioambientais, com especial interesse na crítica da tecnologia.  É membro da Renanosoma (Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente), vinculado à FDB (Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera) e membro do Conselho Editorial de Ciência e Sociedade da Revista Internacional de Ciencia y Sociedad, do Common Ground Publishing. E-mail: a-quaresma@hotmail.com